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Escassez e alta nos preços de componentes importados são desafios para empresas, ressaltam CFOs


Escassez e alta nos preços de componentes importados são desafios para empresas, ressaltam CFOs

A economia do Brasil mostra alguma resiliência em meio ao cenário de incertezas políticas e a pandemia. No entanto, o isolamento social, que diminui a atividade industrial global, traz cada vez mais desafios para as empresas. O alto custo – e até ausência – de alguns componentes importados de produção tende a elevar o preço dos produtos para o consumidor final, apontam os CFOs e CEOs que integram a Diretoria Vogal do IBEF-SP.

Movimentos da China na pandemia – Antes do início da tradicional rodada setorial, Luis Carlos Cerresi, 1º Vice-Presidente do IBEF-SP, convidou Kelly Luostarinen, Diretora de Intercâmbio da PwC na China – maior parceiro comercial do Brasil – para trazer um panorama sobre o ambiente de negócios no país.

“Observamos um aumento superior a 30% em M&A (fusões e aquisições) na China em 2020, para US$ 734 bilhões, movido especialmente por transações domésticas e Private Equity”, disse Kelly. O movimento reflete o esforço do governo chinês em contemplar no planejamento estratégico mecanismos para reforçar a economia em meio à pandemia.

Ela relembrou que em abril do ano passado, os líderes da China revisaram o plano de obras de infraestrutura do país chamada “Nova Infra”, apresentado inicialmente em 2018. Agora, esses investimentos são direcionados pontualmente para sete segmentos considerados prioritários, como cobertura extensiva de 5G, carros elétricos, Big Data e Inteligência Artificial, entre outros. “Esse movimento estatal tem atraído bastante capital de dentro da própria China”.

Sob o ponto de vista dos aportes globais, a China tem US$ 120 bilhões investidos na América Latina entre 2010 e 2020 e, de acordo com Kelly, metade desse montante está no Brasil. “Nos primeiros anos, observamos que esses recursos foram direcionados especialmente para os setores de energia e infraestrutura. Nos últimos anos, houve um aumento da diversificação desses aportes para agricultura e tecnologia”.

Cadeia de suprimentos em alerta – Os executivos da Diretoria Vogal reforçaram o alerta já dado em reuniões anteriores: permanece o cenário de escassez de algumas matérias-primas e componentes importados para as linhas de produção. Quando conseguem comprar os itens – que já estão com valores inflacionados por conta do dólar no patamar dos R$ 5 – o preço é ainda mais elevado. O maior desafio nesse cenário é evitar repassar os custos para o consumidor final, uma vez que o País passa por um momento de estagnação da renda e alto patamar de desemprego.

O VP de Finanças e TI da Volkswagen América Latina, Ciro Possobom, destacou que na produção de automóveis faltam alguns itens como pneus e, principalmente, semicondutores estão escassos. Essa restrição aguda de itens, podem levar a montar carros sem alguns itens no primeiro momento e depois realinhados posteriormente. “Quando alinhamos a compra de partes e peças, os itens estão cada vez mais caros e escassos. Alguns fornecedores internacionais de semicondutores parecem estar direcionando para outros setores, como o de celulares que detém maior margem”, disse.

Na sua avaliação, a situação deve ficar ainda mais preocupante a partir de meados de junho, o que tende a se estender pelo segundo semestre. “O dólar no patamar de R$ 5,30 também não ajuda. A tendência é termos que repassar esse aumento de preços para o consumidor, o que impacta negativamente o mercado, uma vez que a renda do brasileiro não sobe na mesma proporção”, afirmou Possobom.

A Unilever, por sua vez, está tendo de lidar igualmente com o aumento de custos dos fornecedores estrangeiros de embalagens. “Para evitar uma elevação no valor dos produtos nas prateleiras, optamos pela estratégia de apoiar desenvolvedores nacionais”, disse o CFO da companhia, Eduardo Guimarães. “Estamos criando novos programas de fomento às startups e empresas de pequeno porte com potencial de oferecer soluções para os produtos”.

Equilibrar os custos e buscar soluções são temas que estão no topo da agenda dos executivos de grandes empresas no Brasil. Na Natura &Co, o CFO José Filippo busca balancear a elevação de custos de alguns componentes importados usados nas marcas Natura e Avon com os ganhos de sinergia na integração das marcas. “Continuamos observando bons resultados nas vendas digitais”, afirmou.

Infraestrutura– Do asfalto ao aço. A alta dos insumos usados no segmento de construção civil impacta todo o setor de infraestrutura. Gilson Carvalho, CFO da Entrevias, concessionária que administra vias no Centro-Oeste do estado de São Paulo, destacou a elevação de 25% no preço do cap, um dos componentes do asfalto – e um dos principais subprodutos do petróleo, o que impacta diretamente no custo de reciclagem das vias.

“Isso abre espaço para se pensar em importar”, diz o executivo que destaca o otimismo em relação à economia. “Observamos um aumento do tráfego de caminhões desde abril/20. Isso mostra que a economia segue em recuperação mesmo em meio às dificuldades impostas pela pandemia”, afirmou.

A percepção de retomada da atividade é corroborada por Elvira Presta, CFO da Eletrobras. “Estamos observando crescimento da carga ao longo deste ano, o que comprova a retomada da atividade”, diz. Ela comentou sobre os baixos níveis dos reservatórios de hidrelétricas do Sudeste e Centro-Oeste, que chegaram ao final de abril com o menor patamar de armazenamento desde 2015. “O ONS (Operador Nacional do Sistema) talvez precise acionar as geradoras térmicas, o que deve refletir no aumento de custo da energia para o consumidor final”, afirmou.

Representando o Conselho de Administração do IBEF-SP, Serafim Abreu Junior, CFO Regional da Scala Data Centers, observou que a escassez hídrica e a potencial elevação das tarifas para o consumidor final podem ser mais um ponto de pressão inflacionária. Nos últimos 12 meses, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula alta de 6,7%.  A elevação dos preços pode trazer efeitos nocivos à economia em meio à estagnação da renda e alta a taxa de desemprego – que beira os 15%.

Serviços – Como o mais afetado pelo isolamento social, o setor segue equilibrado no enfrentamento da crise. O segmento hoteleiro, por exemplo, perdeu 50% da receita no ano passado, em relação a 2019. Mas a retomada segue no radar dos executivos. Para Mauro Rial, CFO da Accor para a América do Sul, a demanda reprimida deve acelerar a recuperação do segmento lazer doméstico. “Observamos que nos países onde a vacinação está avançada, como Grã-Bretanha e Austrália, a retomada está sendo forte. Esperamos o mesmo movimento no Brasil”, disse.

Em outros setores, como saúde, a pandemia teve um efeito dual, como explica o CFO do Grupo Fleury, Fernando Leão. “O ano de 2020 foi marcado por pessoas em casa, evitando ir a hospitais, adiando tratamentos e cirurgias. Isso elevou o resultado das operadoras, mas foi ruim para os prestadores de serviços, que tiveram impacto relevante em receita”, afirmou. Na sua avaliação, o cenário deve incentivar ainda mais o movimento de consolidação, que já é observado nos últimos dois anos. “As empresas percebem que não dá mais para ficar em um único nicho. Então, devemos observar o aumento das aquisições e maiores ofertadas integradas de serviços”, disse Leão.

Em telecomunicações, setor que emprega cerca de 500 mil profissionais, as empresas lidam com um cenário com duas faces: se por um lado a banda larga ganhou ainda mais importância com a pandemia, as empresas perdem algumas receitas tradicionais de telecomunicações, além do acirramento da concorrência, não somente entre as empresas tradicionais do setor mas também com novos players fortes (como Google, Amazon, Netflix, Disney, etc…) em alguns segmentos.

A estagnação da renda, os níveis atuais de desemprego, a alta inflação e a inadimplência pressionada também são fatores de preocupação, de acordo com Roberto Catalão, CFO da Claro Brasil – “como temos um negócio com cerca de 90% voltado ao segmento massivo, estas condições adversas são fatores de apreensão”, disse Catalão.

O executivo também destacou o desafio para se arcar com os altos investimentos do setor, incluindo aqueles que serão necessários à implementação da rede 5G no País. “Nesse cenário, a tendência é que deva se intensificar no mercado a busca de caminhos para viabilizar os altos níveis de investimentos em infraestruturas, como compartilhamento de redes e parcerias ”, afirmou Catalão.

O segmento de benefícios, por sua vez, segue equilibrado. O CFO da Alelo, Helio Barone, contou que o primeiro trimestre de 2021 foi melhor em relação ao mesmo período do ano passado, com as empresas voltando a contratar. O reajuste médio do vale refeição e alimentação, no entanto, foi de 3,2%, abaixo da inflação. “Fica a dica para as empresas tentarem melhorar esse percentual, uma vez que o benefício é muito bem-visto pelos funcionários”.

Silvano Boing, diretor da Global Estratégias Financeiras, destacou na sua fala final a dificuldade do brasileiro de arcar com os compromissos financeiros, o que pode impactar tanto no desempenho da indústria, quanto no setor de serviços nos próximos trimestres. “Nos 14 segmentos que acompanhamos, todos apresentaram aumento da inadimplência nos últimos dois meses”, ressaltou.

Radar IBEF – A Presidente do IBEF-SP, Luciana Medeiros, apresentou aos executivos o lançamento do Radar IBEF-SP. Trata-se de uma iniciativa que identifica os principais temas  para o ecossistema de finanças – como transformação digital, ESG, gestão de riscos, meios de pagamento – entre outros, alinhando-os aos conteúdos e iniciativas que serão realizadas pelo IBEF-SP ao longo do ano em eventos e cursos. “O radar não é estático, e podemos abordar novos assuntos que surgirem, como questões regulatórias”, disse Luciana.

O 1º Vice-Presidente, Luis Carlos Cerresi, destacou que alguns desses temas serão inseridos também dentro da agenda da Diretoria Vogal. “Na próxima reunião, que vai acontecer no fim de junho, vamos debater a transformação digital em finanças”, disse. O encontro terá a participação de Tiago Azevedo, CFO do Mercado Livre, José Filippo, CFO da Natura &Co, e a presidente da SAP Brasil, Adriana Aroulho. “Depois voltamos com o modelo setorial na próxima reunião de julho”, completou Cerresi. 

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