Entenda os impactos financeiros do coronavírus na economia segundo especialistas

A crise de saúde ocasionada pelo coronavírus trouxe diferentes consequências para o modo de vida da sociedade. É impossível negar que, desde sua aparição, a doença transformou vidas e, especialmente, afetou de forma bastante rápida as economias do mundo. As previsões apontam que os impactos financeiros do coronavírus ainda nos afetarão por anos.

Para alguns economistas, o choque já é bem maior que o ocorrido na crise de 2008. E os motivos para que o cenário seja tão ruim é bem óbvio: com a diminuição da circulação de pessoas, o comércio é diretamente afetado, causando uma quebra na economia.

Contudo, ainda não sabemos ao certo o que acontecerá. O que podemos fazer são algumas previsões para tentar nos preparar, e é justamente isso que abordaremos neste artigo. Por isso, continue a leitura para conhecer o ponto de vista de especialistas!

A pandemia do coronavírus

Ao analisar a trajetória do vírus, é possível ver a rapidez com que ele se propagou e atingiu diferentes países em poucos meses. Desde o primeiro surto na cidade de Wuhan, na China, até os muitos casos em países como Espanha, Itália e França, as preocupações só aumentaram.

No cenário atual, a doença atingiu um número considerável de pessoas nos EUA, e agora há mais de 2.000 infectados no Brasil. Para citarmos dados mais específicos, enquanto este artigo é escrito, há cerca de 400 mil casos de infecção segundo a OMS. É um número preocupante que só reforça como a doença é bem mais grave do que a SARS e até mesmo que o H1N1.

Algumas previsões afirmam que é possível que até 70% da população mundial se contamine. Na tentativa de conter os casos, os países começaram a implementar medidas, enquanto estudos para a criação de uma vacina são realizados. A medida principal é a do isolamento social para os que estão saudáveis e a quarentena para aqueles que já apresentam sintomas ou tiveram contato com infectados.

É verdade que essa iniciativa tem sido benéfica, principalmente em países em que o surto chegou ao pico, como a China. Entretanto, é inegável que as consequências de fechamento de comércios, restrição de locomoção, bloqueio de fronteiras e outras medidas para manter as pessoas em casa estão trazendo impactos profundos para a economia, sobretudo quando se trata de bens e serviços.

A OIT (Organização Internacional do Trabalho) alertou que é previsto que 24,7 milhões de pessoas ficarão sem emprego. Além disso, a expectativa é que muitos países acabem entrando em recessão, inclusive o Brasil, que ainda estava se recuperando da última crise financeira.

Os impactos financeiros na economia

Para fazer uma avaliação do momento em que estamos vivendo, chamamos quatro especialistas para conversar sobre os impactos da crise para a economia e também para as empresas. Durante o bate-papo, alguns pontos importantes foram abordados. 

Primeiramente, Sergio Zanini, mestre em Economia da Fundação Getúlio Vargas, Sócio e CEO da Galápagos Capital, destacou que a crise é bem maior do que a que ocorreu em 2008. Naquela época, o foco principal era o mercado dos EUA. Agora, porém, praticamente todo o mundo está sendo afetado. Para o Brasil, os números não são animadores, uma vez que a nossa bolsa, por exemplo, teve uma queda de 42%.

Gino Olivares, doutor em economia pela PUC, sócio e economista chefe da Galápagos Capital, comentou a importância de entendermos que o custo no mercado ocorre porque estamos escolhendo a vida. Além disso, ele destacou que essa é uma crise democrática que afeta tanto países ricos quanto pobres. 

Durante a conversa, o economista enfatizou que é preciso analisar que as perdas afetarão tanto a oferta quanto a demanda. No primeiro caso, os setores parados serão obrigados a deixar de produzir. Quanto ao segundo, as pessoas estarão impedidas de sair de casa, deixando de consumir.

Para Carlos Fonseca, formado em administração de empresas na PUC e fundador do banco digital C6, a visão é pessimista, com um cenário de pouca liquidez e quase nenhuma procura. Para ele, é evidente que os EUA terão uma recuperação mais rápida do que o Brasil, por terem melhores condições financeiras.

Marcos Bologna, formado em engenharia e produção com extensão em Serviços Financeiros pela Manchester Business School, do Reino Unido, vice-presidente do Banco Itamaraty e membro do conselho de administração da TAM, destaca a questão mais específica das empresas, principalmente em relação à gestão.

Há um cenário de risco, com zero crescimento e recessão. Além disso, é preciso ter a noção de que todas as projeções orçamentárias feitas na companhia já não têm mais validade.

Quais são as soluções para este momento?

Os economistas têm opiniões alinhadas às medidas que estão sendo tomadas. De acordo com Bologna, é preciso proteger os recursos do negócio. Nesse sentido, tanto a saúde dos colaboradores quanto o caixa devem ser preservados. Também é preciso rever os custos que são necessários para sustentar as empresas.

Fonseca destaca a necessidade de se utilizar o que estiver disponível no que se refere a empréstimos. Assim, se houver a possibilidade de se acessar linhas de crédito, este é o momento. Também é preciso estar atento para evitar a inadimplência. Para isso, o ideal é conversar com os fornecedores sobre a situação e negociar alongamentos e repactuação dos contratos. 

Por último, foi destacada a necessidade de se enxugar as despesas, inclusive demitindo funcionários. É uma situação difícil, mas demissões precisarão ser feitas para que os custos afetem os negócios o mínimo possível. Aliás, algumas empresas podem usar a estratégia de realizar fusões para fortalecer o negócio.

Ao longo deste artigo, falamos sobre os principais impactos financeiros do coronavírus. Destacamos como os efeitos dessa pandemia vão além da saúde e atingirão outros setores importantes da nossa sociedade, como a economia. 

É fato que, com a diminuição da circulação de pessoas, os comércios serão atingidos e isso causará uma retração da economia. As consequências poderão durar anos, envolvendo a perda de milhões de empregos e até o fechamento de empresas. Mas esta crise vai passar, assim como outras já passaram, e as empresas poderão traçar estratégias para se recuperar.

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